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ARTIGOS

As adversidades sofridas pelas mulheres no mercado de trabalho

A participação da mulher no mercado de trabalho vem crescendo gradativamente no decorrer dos anos. Contudo, as diferenças sofridas  ainda são estarrecedoras. A Constituição Federal, em seu art 5º, expressa que todos somos iguais perante a lei, embora na prática o cenário que nos deparamos seja um pouco diferente. As mulheres ainda precisam lidar com algumas situações controversas à ideia de igualdade, como, por exemplo, a desigualdade salarial. Conforme pesquisa realizada pela Politize (2016), em escala global, as mulheres recebem salários menores que os homens, ainda que por vezes sejam melhores qualificadas.

Jornadas duplas ou triplas de trabalho fazem parte da realidade de muitas mulheres da atualidade. Configurando – se como um dos maiores desafios da mulher contemporânea, o acúmulo de tarefas domésticas e laborais é resultado de um problema social que ainda requer respostas e resoluções.

Além disso, incluindo-se no contexto apresentado, há o assédio sofrido por muitas em seus locais de trabalho, além da expressiva dificuldade de ocupar cargos de liderança. A cultura do assédio no ambiente laboral ainda é muito presente, e grande parte das mulheres acaba não fazendo a denúncia por medo de perder o emprego ou serem desacreditadas. De acordo com uma pesquisa feita pela OIT, 52% das mulheres já sofreram assédio sexual no trabalho, porém a dificuldade de reunir evidências e o medo de demissão contribuem para a desistência da vitíma de realizar a denúncia.

Ainda há um longo percurso pela frente, mas já existem grandes avanços que, gradativamente, estão sendo percorridos. Uma  realidade de fato é o crescimento das mulheres na advocacia,  profissão tradicionalmente do sexo masculino, mas que hoje conta com uma expressiva quantidade de mulheres atuantes. Dispomos de 588.314 mulheres em todo o Brasil com o total de 1.185.591. Ou seja, metade dos atuantes na advocacia atual são mulheres.

Esse crescimento deve-se à força, dedicação e compromisso das mulheres que são mães, esposas e advogadas, que mesmo com tantas adversidades, ousam construir o próprio império e o fazem com maestria. Trazendo enfaticamente para o período que vivemos e, com o advento da Covid-19, veremos que as primeiras nações, governos e povos a apresentarem grandes avanços da redução de infecção e resultados positivos de controle da pandemia, se fazem em razão do trabalho árduo e eficaz de mulheres, que, estando a frente desses governos, apresentaram resultados importantes em seu trabalho e mostraram a todos que a mudança de pensamento precisa ser real, pois já não se adequa no mundo de hoje.

Apesar dos pequenos avanços conquistados, ainda se faz necessário mudanças não só no meio empresarial, mas também no cotidiano. O preconceito na contratação do sexo feminino pelo simples fato do risco gestacional tem que ser extinto da nossa realidade. Muitos contratantes optam pela contratação do homem pelo fato das mulheres estarem protegidas pela CLT, em seus artigos 391-A, e 392, que tratam da licença maternidade e da estabilidade no emprego durante o período gestacional.

É salutar que se reveja o entendimento quanto ao ingresso feminino no mercado de trabalho, haja vista que o mero fator gestacional não deve influenciar para a não contratação de colaboradoras, pois na medida que pensamos em afastamentos e licenças, ambos os sexos possuem grandes números destes episódios.

Já é realidade de  muitas empresas os  comitês que buscam diversidade. O respeito para com o diferente é primordial, e com a luta pela igualdade e respeito para todos, os empreendedores conseguem atingir um mercado bem mais amplo do que aqueles que não andam em direção à inclusão. Com sua expertise, ensinam que o futuro é a igualdade como um todo.

GALVÃO, Juliana. Desigualdade salarial entre homens e mulheres. Politize, 2016. Disponível em: https://www.politize.com.br/desigualdade-salarial-entre-homens-e-mulheres/

MIGALHAS, redação. Mulheres são a maioria da advocacia em 10 estados. Disponível em: https://www.migalhas.com.br/quentes/321315/mulheres-sao-maioria-na-advocacia-em-10-estados

Souza, Marcelle. 52% das mulheres já sofreram assédio no trabalho; falta de provas dificulta condenações.Disponível: https://economia.uol.com.br/empregos-e-carreiras/noticias/redacao/2013/03/08/52-das-mulheres-ja-sofreram-assedio-no-trabalho-falta-de-provas-dificulta-condenacoes.htm

Por Thaís Rodrigues, Estagiária, unidade IGSA Fortaleza.